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Mostrando postagens de Março 10, 2012
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Das incongruências

Se estiver frio reclama do frio
No calor se sente no inferno
Quando vai à praia sonha com banho de rio
Tudo está contra sua interação.

De um jeito terno, busca consolo e paixão
Vendo os sonhos como eternos objetivos
Em cores explodindo em sensações multicoloridas
Reclama ser na vida o moribundo mais vivo.

É um ser brioso com demasiada descompostura
E na altura dos fatos nem precisa ser rigoroso
Todos já conhecem seu jeito nativo
É um poeta afetuoso, mas de extrema agrura.

Adora escrever torto com suas linhas certas
Um personagem morto de um Shakespeare atual
Mescla a inspiração como um vira-lata puro
Fecha-se em ostracismo com as portas abertas.

André Anlub



Foto: arq. pessoal
Das lamúrias

Existe “aquele um” que só resmunga
Não movimenta, não vai à luta... Será labuta?
Latente insignificância de um filhote de pulga
Mas sabe muito bem o que deseja.

Coloca a culpa no país, nos pais, no governo, no moderno ou na igreja
É uma peleja que sustenta com esmero e prazer
E o que fazer se a mesma só quer que a vejam?
Pois ação é perigosa... Pode resolver.

Tem também o cabisbaixo e pessimista
Que sai na “pista” procurando um parecer
Minimalista, oportunista e acessível
Mas o horrível é não ter nada à resolver.

Reclama do aumento da gasolina...
Do preço do material escolar
Queria um menino e nasceu menina
Tem piscina, mas nunca aprendeu a nadar.

Reclama que o salário é deveras pouco
E o sufoco de viver só para ter tédio
Diz que um dia acaba ficando louco
E não sobra um troco pra se dopar nem com remédio.

André Anlub