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Mostrando postagens de Março 22, 2012
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Foi hoje no final da tarde

Correndo pelo campo de tulipas, braços abertos e mãos espalmadas
Uma leve garoa cai, refrescando meu quente corpo
Paro de correr, e me deliciar com a chuva, para pensar em você
Também paro de escrever, nesse escritório, para sonhar acordado com seus lábios.

Pois nada mais interessa nesse momento
Quero rimar amor com prazer...

Tento voltar ao foco da minha escrita
Seria um romance? – seria poesia?

E no desespero da causa, por mais que a mesma me machuque...
Afogo-me em citações famosas, pois sei que você iria gostar
Cito Shakespeare, Sartre, até amanhecer
Choro, como bem sabe que é de costume
Pois é a única que me entende, me ouve e me lê.

Mas retorno à mesa vazia
Com as anotações, o charuto e a bebida
E de saída, sinto como um aperto forte no peito
Uma insanidade que sussurra ao ouvido...
O lamento e o esvaecer da minha vida.

André Anlub


Obra-prima

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Tece a busca do aconchego amoral
No horizonte bem próximo fita-se expectativa
A arte se contorce, vai e vem das mãos.
Matizes deflagram em frenesi surreal.

Surge a pergunta e se obtêm solução
O colorido e sombras entram no mais salutar consenso
Feliz? - Às vezes sim, muitas outras vezes não
Mas agora são um só - dominante e dominado.

Quiçá tudo feito não esteja a contento...
E não está!

Surta e larga os pincéis - rumo ao pesadelo
Epiléticas mãos fazem movimentos elípticos
A tela, ante natureza morta, torna-se morto abstrato
Sem tato o artista desmonta, senta e chora.

Ao cair de quatro pingos de compunção
Levanta a cabeça, encara a vida e olha ao lado
Encabulado vê-se de fato o que seria sua sina
Ensaia um sorriso e em tons tênues declama:

“Majestosa obra-prima”

André Anlub