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Mostrando postagens de Março 28, 2012

Crente de Amor

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Embriagado do sumo do alcatrão que habita em nuvens
Nuvens de imaginação - do cume ao brejo
Sinto o desejo, impregnado em absurdos e concretos
Alcanço as engrenagens de suas carnes e ossos, suas ferrugens.

Me crio e sigo em frente pelo motivo que vicia
Essa arte de estar a sós com você
Cheiro de incenso, vida, relíquia, sorriso e prazer
Rebento que sacia, somente paz, minha cria nunca em vão

Mais uma vez grito alto
Mesmo sem motivo, mergulho e salto
Das mentiras e falácias, esnobo
Explodo, sou canhão.

Nas verdades que saem de sua boca pintada
Obra de arte do mais talentoso artista
Faz com apenas dois traços o tudo do nada
Deixa em grãos de arroz o caminho, a pista!

Mais uma vez sussurro ao ouvido
Duvido que escute, mas no fundo entende
Sabe que o amor que eu mesmo vomito
É minha fé... Absolutamente ser crente.

André Anlub

Olhos azuis de cegos

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Jovem, bonita e mortal
Uma crônica cólica romântica pode até ser fatal
Mas para corações fracos e desprotegidos
Quase todos que há.

Ela deixa o sujeito de quatro, febril e sem norte
Clamando pela morte sob o ataque juvenil
Em um labirinto do fauno, entregue a própria sorte
“A inocência tem um poder que o mal não pode imaginar”.

Quando se alcança uma idade avançada há uma predisposição
Uma espécie de paixão pelas coisas mais novas
A luxúria de cunho sexual e erótico movido pela imaginação
O que foi rima vira verso, o que foi verso torna-se prosa.

O poder da juventude é efêmero e nada discreto
Existe o enorme preconceito pelo ultrapassado ou velho
A pureza do novo, que ante visível, assim não é mais reta
Sinuosa estrada que no final volta ao seu início.

Nas margens do caminho há no limite o precipício
O verdadeiro mergulho na vaidade não tem volta ou arrependimento
Faz uma vida de angústia, um ímpio no hospício...
Que vaga por orifícios das seringas de rejuvenescimento.

Enche com silicone os egos
As amargur…

Algumas Histórias IX

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Dos Carnavais - Prólogo...

Nos idos da década de oitenta...
Recordo-me nada remotamente de um carnaval peculiar
Saímos bem cedo e impetuosos do Rio de Janeiro
Éramos cinco no carango, um Chevrolet marajó
Véspera de carnaval... Meados de fevereiro.

Não pegamos transito, pois saímos numa quinta-feira
Fomos a uma fazenda em um município de Minas Gerais...
Lugar calmo, muito verde, cavalos e cachoeira.

De lá, na manhã seguinte, já partimos ao sol nascendo
O objetivo era São João del Rei
Chegando e como já conhecíamos a cidade...
Aproveitando que ainda era dia
Fomos à caça de um teto, de uma estadia.

Tudo andava bem até o instante momento...

Arrendamos uma casa deveras engraçada
Não tinha camas mas quatro quartos, um banheiro e uma privada
Era o único sanitário e ficava bem debaixo do chuveiro.
Com um teto rebaixado, só se entrava agachado.

Mas o mais inusitado ainda estava porvir
A dona criava um porco na área dos fundos
Das nossas janelas dos quartos, tínhamos a bendita visão
O grande suíno nutrido nos olhav…

Algumas Histórias VIII

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Curitiba e Santa Felicidade

Outro dia bebendo um bom vinho lembrei-me de uma viagem à Curitiba
Na época, em 1989, eu tinha uma tia que morava e congelava naquela cidade
As passagens de avião ainda eram exclusivas pra rico
Mas a juventude me fez encarar um ônibus com facilidade.

Curitiba, cidade limpa, segura e de transporte perfeito
O prefeito na época era mais que um político querido
No chão nem um papel ou palito de sorvete
Mas o frio ainda seria meu principal inimigo.

Cheguei no inverno e se lá fosse o inferno, congelava
De dia eu pedalava pela cidade na Caloi 10 da minha tia
De luva, gorro e três meias no pé
A noite um filme com um bom vinho me esquentava.

Fiquei conhecido nas locadoras da área
E já conhecia uns skatistas no parque Barigui
Todos os filmes do momento eu já havia visto
Naquela época eu queria morar ali.

Antes de voltar para casa fui conhecer Santa Felicidade
Bairro que foi um antigo caminho dos tropeiros paulistas que iam em direção ao sul.
Lugar de boa comida, vinhos de qualidade e v…

Grande Millôr

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Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923 - Rio de Janeiro, 27 de março de 2012)





PS:

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Longe do lugar comum
Te vi no corpo de um beija flor
Pairavas olhando para mim
Por sobre o campo de rosas...
Fiz poesias e prosas
Que sempre afastam minha dor.
Como em um mar bem calmo
Que bóiam papiros de salmos...
Escritos, palavras de amor.

André Anlub