Postagens

Mostrando postagens de Março 30, 2012
Algumas Histórias X

Uma vez quis ser algoz a uma pessoa
Mas acabei me tornando essencial para a mesma
Armei um circo para findar o que ela começou
Mas ela era guerreira, e por esse motivo sua força aumentou.

Fiquei com uma ligeira impressão estranha
De que na época o que estava em voga, em mim, era a aversão
Pois ter alguém no seu pé, no auge da juventude, dava uma raiva tamanha
O que seria amor se tornou paixão e logo depois migrou para obsessão.

Como todos sabem que existem pessoas que acordam bem cedo...
Já falando que odeiam em tal hora acordar.
Dormem tarde, agindo no mesmo princípio...
E são ossos do ofício não ter às vezes o que odiar.

Pronto, descobri uma maneira de chegar ao ponto
Comecei outro namoro, um chamego aberto
Ela sabia que eu tinha outra, que era louca, e estava por perto
E a outra logo ficou sabendo das regras desse novo jogo.

Mas de nada adiantou, pois ela aceitou...

É ilusório combater o ódio com a indiferença
A parafilia de querer estar sempre feliz em se maltratar
Sabe-se que nin…

E o Mundo Acabou - 2012

Imagem
Foi banhar-se, só e bem cedo, na sua nova cidade
O ano acabava de começar
Um clarão veio de toda parte
Não havia ninguém, nem vida, por lá.

A escuridão veio, assim, de repente
Um breu jamais visto
Milhões de pensamentos dominavam sua mente
O barulho do silêncio em êxtase misto.

Ventos de todas as regiões tocam o seu corpo
Trazendo um gélido tempero na cachoeira
Pisa em folhas secas na trilha de volta
Sozinha, com frio, sem eira nem beira.

Estranho, pois não havia sons quaisquer
Gatos pardos, cavalos selvagens, nada por ali
Passando por despachos, pipocas e galinhas
Pega uma planta para se distrair.

Erra o caminho e sai em outro rio
O medo se confunde com o frio
Sem arma, coragem, sem orientação
Sem lua, comida, ombro irmão.

Sobe em uma árvore para ver melhor
Sem a companhia de mosquitos ou pirilampos
É como um breakout pintado de preto
Se vê tremendo a alma e o esqueleto.

Chega a um dossel, caindo em prantos
Grita, chama, por um deus qualquer
Apela para todos os santos
Segura firme sua malmequer!

André Anlub

Livro do Mal

Imagem
Foi a mais bela de todas
Vivia em seu castelo protegida por um dragão
Usava ouro, jóias e vestidos de seda
Ninguém podia lhe tocar a mão.

Era pintora e falava mais de dez idiomas
Sua voz era de um belo tom
Tudo de nada serviu
Pois de casa nunca saiu
Para expor o seu dom!

Passava o dia inteiro cantando e escrevendo em sua redoma
Já havia escrito mais de cem livros
Entre contos, prosas e poesias
Havia um que era exclusivo.

Um livro de poesias sobre a vida
Sobre ser o que nunca virá a ser
Falava sobre viver com várias saídas
Livre arbítrio para beber e comer.

Narrava a vida em Gomorra e Sodoma
Sobre vinhos e depravações
Subtrações que se revolvem em somas
Mostrava quase todas as emoções.

Mas o seu tempo foi passando
A velhice chegou
Sua pele foi enrugando
A demência lhe pegou.

Por fim morreu com seus escritos
Nunca o mostrou.
A verve, por sua vez, pensava perdida
Mas surgiria um mito.

As datas foram ocasião
Os livros que o passado deixou fora
Atualmente em uma escavação
Acharam essa biblioteca de outrora.

O mundo caiu e…

Na Fazenda

Gosto de dias nublados, com cheiro de mirra
De sentir em mim, leve brisa e preguiça
Por tanto apareça e me faça uma surpresa
Venha no próximo trem, você, minha sina

Faço um café e massa de pão
Vou ordenhar algumas vacas e preparar queijo minas
Pegar alguns ovos e fazer omelete
Ponho a mesa e acendo o fogão
Eu sei que vou repetir que você me fascina

Eu busco na minha vida, carinho e perdão
Carinho pela carência e perdão pelo passado
Às vezes eu penso que o amor sempre chega atrasado
Mas vejo a minha idade com o mundo nas mãos

Nas mãos também tenho a faca e o queijo
E cada pedaço que como faz falta o doce do beijo
É o sabor que faltava de uma goiabada
Então espero você chegar minha quimera amada

As rosas e margaridas clamam seu nome
O orvalho começa a cair como uma lágrima divina
Começa uma leve chuva como purpurina
Mas logo as nuvens negras, dissipam e somem
E sua mão abre o portão chamando meu nome.

André Anlub