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Mostrando postagens de Abril 24, 2012
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Apenas uma Ponderação (parte III)

Realismo do poder de uma paixão é a mais cruel das realidades
Sonhos que poderão se realizar
Uma família que pode habitar seu legado
Ninguém sabe se será uma possível dor de separação
Paredes brancas para pintar.

Às vezes para enxergar temos que ficar cegos
Um coração que há dúvida se irá quebrar
Cada passo pulando buracos
São as mazelas que perpetuam os egos.

Passam-se anos e esquecemos tudo
Horas que ficamos somente em sonhos
Um passado que passou como puro absurdo
Pode vir, como chuva forte, a se repetir.

Em um mais novo louco amar...
Sinto cheiro de nova vida
Um recomeço com rebentos e novas armas
Nova batalha, sentimento, era
Uma porta pantográfica para usar de saída.

Na beira do abismo encontra-se nova resposta
Se olhar para baixo não vai se arriscar
Sem dinheiro ou bens, mas pode se fazer a aposta
Nova casa no coração é toda quimera.

André Anlub

Poema magnífico! Como diz um amigo: "Delcarajo!"

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Necrológio dos Desiludidos do Amor

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.

Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Carlos Drummond de Andrade, in '…
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Corsário sem rumo

No seu sorriso mais doce
Dá-me o sonhar acordado
Nau agridoce ancorada
No porto seguro de um réu.

O cerne mais íntimo partilhado
Como alado cavalo ao vento
Coice pra longe o tormento
Traz na crina o loiro do mel.

Mil flores a pulsar na razão
Vil dor e jamais compunção
Cem cores permeiam na libido
Sem rumo nem rum no tonel.

Pirata na dádiva do amor
Com a bússola do autêntico anseio
Nem proa, nem popa, nem meio
Voando em direção ao seu céu.

André Anlub

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Corsair aimlessly

At its sweetest smile
Give me daydreaming
Ship anchored bittersweet
In the safe haven of a defendant.

The innermost core of shared
As a winged horse in the wind
Kicked away the torment
Bring on the mane of honey blonde.

A thousand flowers to beat in reason
Vil pain and never compunction
Hundred colors permeate the libido
Aimlessly in rum cask.

Pirate in the gift of love
With the compass of authentic longing
Neither the bow nor the stern, or through
Flying toward his heaven.

Andre Anlub

Imagem: web