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Mostrando postagens de Julho 23, 2012
Le Petit Maurice

Depois de sair do seu banho...

Reparte o cabelo ao meio
Passa um pouco de Gumex
No pulso seu belo Rolex
Separa um trocado pra cerva
E não se esquece da erva...
E a chave de seu Chevrolet Veraneio.

Coloca uma bermuda de marca
Um chinelo de dedo
Mesmo sabendo que é cedo
Um uísque e dois cubos de gelo.

Vai sem rumo pra Urca
Louco varrido na praia
Depois uma pizzaria famosa
Com gente bonita faz prosa
Nunca soube o que é uma árdua labuta!

Esse ano fez trinta anos
Nunca na vida fez planos
Mede um metro e noventa
Um par de olhos azuis
Ama bala de menta
Pai rico, famoso juiz.

Estudou nos melhores ensinos
Fez inglês nos Estados Unidos
Mulheres ele coleciona aos quilos
É inteligente e feliz.

Fundou uma confraria de solteiros
Charutos e bebidas, prostitutas e cavalos
Quando chegou aos quarenta...
Dinheiro e saúde pro ralo.

A vida ficou antipática
Empilhando contas em sua mesa
O burguês que migrou pra pobreza
Morreu de cirrose hepática.

André Anlub
Olhos e mãos

Olhos que fitam o azul celeste
Pensando em um dia desvenda-lo
Olhos que veem vultos por detrás de ideias
Sabem da capacidade do poder imaginário.

Ousadia das mãos...
Plantam e criam
Remetendo os seres ao mais adiante mundo
Ser que fica desnudo
Ser que fica vestido
Todo e qualquer atributo.

Olhos que mergulham em longínquas profundezas
Tirando o corpo físico do lugar comum
Olhos que trafegam no vão e vêm de letras
Na mão e contramão de amores e lendas.

Mãos de um ser...
Rápidas, elas desvendam segredos
Revelam medos da mais delicada forma
Transmitem o que dos olhos já foram vistos...
Ou até mesmo o que gostariam de ver.

André Anlub