Barba branca 
(para alguns vou falar Grego)

Minha barba está ficando branca
aumentam as rugas de concupiscência
estranho é não dar importância
curioso seria a ausência.

Relembrando épocas advindas
imerso em um déjà vu
caindo de uma cama beliche
ou dentro um moletom azul.

Em praias todo o pôr do sol
no rol das maiores alegrias
com a imaginação, mar e areia
e a amizade que faz da vida magia.

Lembro-me de tempos atrás
das pistas de corrida de tampinhas
eram ladeiras íngremes
túneis e voos surreais.

Peteleco era o motor dos “carrinhos”
às vezes discos voadores
ao lado um castelo de enfeite
com portas de palitos de sorvete.

Nas areias quentes
no mar, absorto
entre um mergulho e outro
combinava-se o jogo.

Fugindo um pouco dos versos...

Indo aos gols feitos de chinelos
futebol corriqueiro
jogando um bobinho
duplas de praia ou altinho.

Tinham os cachorros sedentos
alguns à milanesa
visando a dançante bolinha
do frescobol ofegante
na agradável maresia.

Passavam os biscoitos Globo
com mate Leão e limão
espetos de camarão
e a fumaça ascendendo ao topo.

E quando ressacas surgiam
traziam os surfistas de peito
com suas plateias cativas
que visualizavam as ondas
e sinalizavam em trejeitos.

Não vejo mais a barba branca
nem as importunas rugas.
A idade que alavanca
fez-me dar fim ao espelho.

André Anlub®
(23/03/13)

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