Imagem: web

Prisioneiro deposto

Já rodei pelos bares e espeluncas da vida
em puteiros falidos e mulheres de esquina.
Já me vi na latrina e na obscuridade do ser
e seguindo nas vozes o que devo fazer.

Mas no corpo e na alma, tão visível ameaça
cicatriz que se estende ao lado das tatuagens.
E como quentes miragens, se fundem na carcaça
fazendo uma graça, sem ao menos me conhecer.

Então me camuflo pra prosseguir adiante
o coração é imundo, mas não carece morrer.
Já fui morto por dentro, um desfavor de outrora
e quase morto por fora, em vários prévios instantes.

Um adendo, na roleta russa do desgosto
vejo seu riso no rosto e no alvedrio da bala.
Os gritos e falas, em um minuto se calam
apontado ao ouvido, ao som do breve estampido
e o infinito aguarda o prisioneiro deposto.

André Anlub®
(11/04/13)

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