Quarta Poética



Folha que se perde e se acha

Maravilhosas são as plantas e folhas balançando com o vento.

Aquela folha que se solta da grande jaqueira
plana, cai, gira, como um turbilhão alucinado 
rodando no eixo até chegar ao chão.

Folha quase seca, que estava lá no topo
se mistura, cá embaixo, a outras folhas quase secas.
De repente ela se mexe, levanta
move-se em uma determinada direção.
Outras se levantam, e mais outras, carregadas pelas formigas.

Todos os dias pessoas conversam com seus deuses
longas conversas, às vezes com joelhos no chão
em cima de uma pequena almofada.
Com as mãos para baixo, cabeça para trás
em concentração máxima, em oração.

A toda hora pessoas renunciam ou aceitam uma crença
ficam em brigas internas, ou a exteriorizam.
Adoecem, e muitas vezes tentam se distrair e seguir rotinas.

A tristeza por vezes é forte, consome todas as suas energias
todo aquele ímpeto de procurar respostas.
E as perguntas com as impaciências
empilham-se na mente.

Mas uma pessoa, determinada e insistente
mesmo com o coração quase seco
longe do topo, no fundo do poço.
Ergue-se e é valorizada e estimada
por alguém que a ama e carece de sua companhia.

André Anlub®



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