A pessoa olhando a esmo uma revista se depara com uma foto...
Fecha a cara, franze a testa, entorta a boca, e num gesto raivoso...
Rasga a página.
Amassou-a, com afinco, fez uma bola e vruum...
Direto ao lixo mais próximo.
Não satisfeita, passa a mão em uma pequena caixa de fósforos, vai ao lixo e pega a pequena bolinha.
Riscou o fósforo, abriu um sorriso e kreee...
Ateou fogo.

A foto...

Imagino que possa ser algo relacionado a um casal, aparentando colossal felicidade, que estava ao fundo, andando na beira da praia.
A remeteu a lembranças de tempos idos de excessos de meiguices, palavras doces, cafunés diurnos e noturnos, massagens nos pés; pés estes ainda belos, intactos, rígidos e sem varizes e imperfeições. Tempos de troca de olhares de amor, olhares de fogo, tesão, que eram acompanhados de pensamentos incendiários, impuros, de roupas rasgando e voando, suores aos montes e mãos e bocas dançantes, que findavam em gritos de prazer e tremedeira. Momentos que me deixam acabrunhado só de pensar.
Momentos indescritíveis, que jamais voltarão.

André Anlub®

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