Cria (André Anlub® - Jul/2009)


Cria

Vestes minha veste e gritas
Caso do acaso de um inóspito afeto
Assombrando-te, por entre um jardim de flores tépidas
Girassóis que miram aos quatro cantos.

És minha cria, própria luz em mim sem sombra
Em ti, pura certeza, sempre tardia
Procuras em todos, a rebeldia
Encobres-te o corpo todo em santo manto.

Me apontas o dedo em riste à face triste
Dizendo que és só minha, afeto e escrava
Amante da zombaria de uma serpente
Comes a maça da própria sorte.

No teu neto, que sem pai, habita a dor
Prelúdio de momentos de sacrifício
Ofício de morrer, viver sem graça
Filha, és minha vida, atonia e morte.

André Anlub® (Jul/2009)
Imagem: Anlub

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