Disseram que sou bonita, que não há de faltar alguém para preencher o vazio lado do lado. Se beleza pusesse mesa, não se teria perdido o amor pelo oco e o eco silencioso das horas. Tende-se esperar que o Tempo apague o cotidiano impresso nas coisas, nas arestas de dentro da dor, da saudade. Que se apague o cotidiano da voz cravada nos olhos, nos audíveis gemidos marcados na pele alva, os vermelhos pintados das mãos amantes e apaixonadas. Que se apague o cotidiano do cheiro do café e do cigarro que não eram meus, mas de teus devaneios. Que se apague a imagem em vulto a esperar por mim num ponto, num banco, num lugar qualquer de nossos encontros. Que se apague o desejo do abraço, do braço escorado em teus baixos ombros. Que se apague o tocar dos dedos meus sentindo na alma os teus finos cabelos. Que se apague meu medo de seguir sem tuas mãos entrelaçadas. Que se apague a música, os passos, os risos, a cumplicidade de uma Bossa, um Jazz, um Blues, uns Chicos, outros tantos de nossos ouvidos. Que se apague o meu sorriso feliz de ti, pra ser feliz em mim outra vez.
Que se apague...

Bia Cunha

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