Enfim, a chuva caiu…

Enfim, a chuva caiu.
Tinha pressa em meus passos, quando voltava pra casa após as compras no supermercado; tinha, juntamente a pressa, o cansaço do dia trabalhado, da noite acesa, do coração fatiado. Foi quando bem de repente, ela caiu sobre mim. Veio forte e num descompasso mágico desacelerou meus pés, acelerou os batimentos e me pus a sentir pingo-a-pingo.  O sorriso foi nascendo de dentro enquanto caminhava por ruas, avenidas e trechos despoéticos. Não demorou muito para sentir os cabelos presos na pele, não senti medo de chorar, água escorrendo há mais faria diferença? Não no meu corpo esgotado de gotas de sal e chuva, roupa grudada no corpo farto. Quanto mais perto vou chegando do portão, vou tecendo o mantra de gratidão aos céus que sobre mim encharcou bênçãos de paz e silêncio e revida. Instantes seguintes eu enxuguei só as lágrimas porque o corpo secou que nem senti, vi a rua silenciada, as horas caladas, noite e depois dia silentes também, todos ouvindo a Senhora Água banhando a terra, a vida, os que dormem, os que sonham acordado e a alma do poeta.
Enfim…
Saravá!

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