Balé dos estorninhos


Aves que voam no além-mar
Sentindo a salinidade existente
Liberdade de tocar a epiderme da vida.
Aves migratórias de voos extensos
Atravessam continentes com suas asas enérgicas
A brisa é sua amiga e confidente
O homem aqui embaixo
Plantado!
Confinado na inveja.


Balé dos estorninhos

Vá falar aos quatro cantos desse enorme mundo vadio,
fale logo, vá!
Fale aos ouvidos trancafiados, cimentados e mal acostumados,
grite com todo o pulmão, todas as forças,
até se esvair o ar.

E aquela velha inocência descabida? 
Deixe-a ir:
já estava sufocada com sua maturidade,
com seu desenvolvimento e sucesso,
com o balé dos estorninhos.

Os passos largos, de gigantes dinossauros, são seus.
As impurezas das palavras impensáveis nunca existiram.
O seu barco naufragado é passado, ou pode até ter sido um sonho.
Ria, pois com o mar é casada e vive à vontade com os golfinhos.

E agora rebobinou sua idade ao azul bem vasto,
fixado no fundo da sua íris.
Poderá observar os loucos abutres,
que voam por cima de um extenso deserto,
deixando a sombra de rastro,
com a sede e a fome,
que os escoltam de perto.

André Anlub®
(29/6/13)

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