Vem assim no repentino

O amor qualquer de qualquer uma pessoa,
Visto num lugar abandonado,
Esparramado com folhas secas e sombras anêmicas.

As árvores já estavam nuas,
Céu nublado e o vento seco;
Era de dar medo tal quadro,
Causava transtorno já em pensamento,
Faria tortura se estivesse realmente acontecendo.

O amor nessa brenha largado,
E as aves que aqui já deixaram abandonados seus velhos ninhos;
O sol, coitado, só batia de lado,
Tímido e afastado
Quase que sentindo frio.

O amor nesse terreno baldio,
Cercado por uma cerca velha e enferrujada,
Que em toda sua extensão
Servia de apoio para uma parreira.

Há um portãozinho branco descascado,
Empenado, torto, caído,
Pálido, podre, cheirando a lenha velha,
Louco para ser queimado, ser alforriado,
Mas para os cupins ainda com serventia.

E o amor ainda lá, deitado,
Quem sabe aguardando a chuva
Ou talvez a uva da parreira ao lado.

E de repente o amor lá, sorriu,
Avistou o pão, o vinho...
Viu alguém andando sozinho,
Vago, com a cabeça baixa e o rosto cálido;
Novamente riu e gargalhou
Avistou seu alvo, sua vítima,
Ajustou sua mira e arrebatou.

André Anlub®
(15/6/14)

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