À REVELIA

Palavras prendem sonhos no papel
feito um ajuntador de borboletas.
A tela em branco encontra no pincel
iguais porções de paz e de vendetta.

Não sei de abelha que rejeite o mel
e oboé só conheço com palheta.
Os mesmos órgãos que fabricam fel
têm outros predicados na etiqueta.

A cada um a cruz do seu destino,
nem mais, nem menos, sem ponderações
que tentem diminuir o desconforto.

Nenhuma dor é só um desatino
obrado à revelia das razões
que um barco possa ter pra estar no porto.

(Rogério Camargo)

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