CORVO

Pousa solene ao tronco quase morto,
estufa o peito  e estende o  olhar em volta.
Uma expressão de pároco absorto
acompanhando o incenso que se solta.

Vetusto como um soberano, o corvo,
na diagonal da casca toda torta,
não sente sob os pés nenhum estorvo
ou, se deveras sente, não se importa.

Estufa o peito e estende o olhar agudo,
como se sentindo proprietário
do chão, do pau, do céu, daquilo tudo.

Depois levanta voo e vai adiante,
vai procurando além novo cenário
aonde se fazer de comediante.

(Rogério Camargo)

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