RETIRADAS

Palavras dadas, retiradas, nulas,
palavras que não valem mais, morreram
em nome do que em próprio nome açula
o que as palavras só reconheceram.

Tão mortas como a vida que se anula,
já tudo o que, bonitas, descreveram,
foi devorado por um’outra gula,
a de ressuscitar o que viveram.

Não é possível mais reconstituir.
Se não existe, não vai existir
por culpas ou por arrependimentos.

Volta pro vácuo de onde um dia veio
a sensação do triste, pobre e feio
que está na traição de um juramento.

(Rogério Camargo)

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