BUSCA PROCURA

Um soneto à procura de um soneto
como de um ombro onde encostar as culpas,
onde chorar remorsos em folhetos
com que leitora alguma se preocupa.

Feito um motor testando os magnetos
ou um covarde atrás de uma desculpa,
segue o soneto em busca de um soneto
armado de binóculos e lupa.

Pode estar longe e pode estar tão perto
quanto esta ânsia que corrói tecidos,
tecidos fracos e tecidos fortes.

E enquanto esta loucura a céu aberto
vai fabricando mortos e feridos,
vou te aguentando como me suportes.

(Rogério Camargo)

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