Foi tudo uma brincadeira, quis defender-se Olivaldo, diante dos prantos de Zuleva e da indignação dos pais dela. Uma brincadeira? Prometer casamento, fazer a menina bordar toalhas pro enxoval, marcar igreja, emitir cartões!
- E os cartões eram lindos! – gania Zuleva, inconsolável.
Olivaldo insistia que foi tudo uma brincadeira. O pai da moça, que até ali não dissera uma palavra, de tanta raiva contida, balbuciou entredentes:
- E você se divertiu?

A calçada estava com muitas lajotas soltas em grande desordem. A associação do bairro exigiu que a prefeitura destacasse um guarda para orientar as pessoas. E ele veio. Das oito na manhã às seis da tarde todos os passantes poderiam saber com segurança em que lajota pisar para quebrar o pé, torcer o tornozelo, tropeçar e cair de boca, afundar no valão ou só tomar um susto. Das oito às seis não havia mais confusão. Depois disso, cada um que se virasse.


Zé Granjeiro estava se incomodando com o seu trator.
- Esse idiota está apaixonado. Desde que viu uma patrola na estrada ficou assim bestão, o motor suspirando, vazando óleo, os pneus quase estourando de inchados. Não tá prestando atenção nenhuma no serviço, o cretino.
- E por que você não leva ele pra resolver essa questão de uma vez?
- Tá louco? E vai que ele me engravida a patrola? Aí mesmo é que nunca mais a prefeitura dá jeito na estrada! Deixa assim, já pendurei uns pôster de colheitadeiras no galpão. Ele que use a imaginação.

(Rogério Camargo)

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