Enxugando os Prantos (Parte I e II)

Enxugando os Prantos

Toda a paz do mundo caindo em gotas de chuva
Plena abundância do amor
Reconstruída a fé e a esperança
Saúde dando aos montes em cachos de uva.

O ciclo de felicidade dando voltas no infinito
A cada segundo mais e mais sorrisos e gargalhadas
Desarmadas todas as facções e exércitos do planeta
Soldados com roupas de banho fazendo um churrasco.

Só com uma luneta posso ver o mal que está no nada
Crianças sem fome ou sede e com um futuro abissal
Empáfias, crueldades e cóleras morrendo asfixiadas
Caem vis preconceitos, caem muros.

Pessoas que estavam perdidas sendo encontradas
Hinos de todos os países poeticamente cantados...
À toa, só fazendo assim valer gastar toda a saliva.

Presídios se tornando museus e teatros
Retratos e pinturas só de natureza viva
“Guernica” se transforma em um realismo abstrato
Toda a censura se foi depois de descer do seu salto
Não existe rabisco, a arte provém de um ínfimo traço.

Todos tem o direito de subir em um palco
Poetas surgem com os ventos, por todos os cantos
O ego e autoestima do homem se perdem no espaço
Poesia trazendo alegria e enxugando os prantos.

André Anlub®
(8/7/10)

Parte II

Enxugando os Prantos (parte II)

Os homens levaram a melhor, restauraram sem piedade os próprios corações...
As nuvens, no gritante azul piscina do céu, ficaram devidamente alinhadas.

Aqui, ali, todos esqueceram que previram a tempestade que jamais se formou;
Vestes novas, bebidas aos litros e litros, frutas raras e frescas abocanhadas...
E nas madrugadas uma surreal lua fluorescente.

Como plano de fundo: 
Casais e seus calorosos corpos colados, sorrisos aos montes e seus extensos beijos;

No plano mais à frente: crianças corriam felizes, brincavam com brinquedos de madeira e não se fantasiavam de adultos...
E não aconteceu o absurdo das águas se tornarem doces e estragarem os dentes.

Aqui, ali, a mais completada ordem;
Muros e rostos pintados com coloridos belos, sem o grafite nervoso da política e o esboço de um papel impiedoso.

Em breve os cárceres seriam demolidos, pois jamais tiveram serventia...
Museus de coisas que não existiram... expostos à revelia.
A luta por tudo e a luta por nada, nessa mesma madrugada de lua brilhante.

Enfim, todos na espera da alvorada,
Ainda mais o amor...
O sol nascerá irradiador, e de fato de um parto;
O cordão umbilical nos dará a chance de alcança-lo de fato... 
Tudo no imaginário – possível – no imaginário.

André Anlub®
(18/9/14)

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