Nódoa



Nódoa (do livro “Poeteideser”)
(André Anlub - 28/1/09)

I
Passou percebido como um terremoto,
Teceu vários olhares.
Sons inóspitos para alguns
E agradáveis para milhares.

Rebeldia de uma meretriz,
Capitalista convencional:
Compra – comprará – comprou 
(quem quis).
Absolutamente fenomenal.

Mulher perfeccional e pérfida,
Adjunta de tudo e todos que convém.
Sua índole é sempre muito maléfica
Fazia do mais importante um ninguém.

Seguia com o nariz apontando para o céu;
Fazia de qualquer Deus um réu;
Bela – inteligente – realizada.
Dona do tudo, quase tudo e do nada.

Sempre foi uma rainha que não transige,
Pois não precisava de um rei só.
Não tinha ré, mi, lá ou dó... (e o resto todo).
Quando morresse viraria ouro em pó.

II
Essa rosa linda do jardim,
Teu perfume surreal,
É oferecida para mim
Numa vil crise existencial.

Subjugava seus valores decorrentes,
Não se importa com a dor.

Nunca é coerente,
Somente de sua própria vertente.

Engole o mundo e arrota,
Esnobe como sempre é!

Abre suas ideias, comportas...
Perfeita da cabeça aos pés.

Ergue muralhas de beleza,
Sem fim e nem comparação.

Dizem ser melhor que a mãe natureza
Tem o universo nas mãos.

Quando morrer virará pó de ouro,
Todos no mundo irão chorar.

Perderão o maior dos tesouros,
Nódoa (dona de tudo que há).

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