Olhos azuis de cegos




Olhos azuis de cegos
(André Anlub - 30/9/12)

Jovem, bonita e mortal!


Uma crônica cólica romântica
Pode até ser fatal;
Mas só para os corações fracos e desprotegidos...
Quase todos que há.


Ela deixa o sujeito de quatro,
Febril e sem norte,
Clamando pela morte
Sob o ataque juvenil...


Em um labirinto do fauno,
Entregue a própria sorte...


“A inocência tem um poder que o mal não pode imaginar”.


Quando se alcança uma idade avançada
Há uma predisposição.
Uma espécie de paixão
Pelas coisas mais novas;


A luxúria de cunho sexual e erótico,
Movido pela imaginação:
- o que foi rima vira verso 
- o que foi verso torna-se prosa.


O poder da juventude é efêmero 
(nada discreto)
Existe o enorme preconceito pelo ultrapassado ou velho.
A pureza do novo, 
Que antes visível, 
Assim não é mais reta.


Sinuosa estrada que no final volta ao seu início.


Nas margens do caminho há no limite o precipício,
O verdadeiro mergulho na vaidade
Não tem volta ou arrependimento;


Faz uma vida de angústia,
Um ímpio no hospício...
Que vaga por orifícios
Das seringas de rejuvenescimento.


E no final:


- enche com silicone os egos,
As amarguras com cimento.

Vê-se no espelho por um momento...
Com olhos azuis de cegos. 

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