Racismo à brasileira


Racismo à brasileira

“Percebo diretamente o racismo depois que minha filha se casou com Carlinhos Brown. Quando eu estou na rua às vezes ouço esse tipo de gracinha agressiva. As pessoas pensam que são brancas, pensam que eu sou branco. [...]

“Um dia fiz uma gracinha e disse que no Brasil ninguém é branco, só a Xuxa. [...] Outro dia fui num restaurante supostamente chique e tinha uma mulher, com cabelo pintado de amarelo, que começou a berrar: “Eu sou branca! Eu sou branca!” É uma coisa muito malresolvida. [...] Porque é impossível imaginar que famílias, depois de várias gerações, não tenham se misturado com índios e com pretos.

“Com relação aos meus netos já aconteceu agressão aqui no Rio onde eles ficavam, quando vinham da Bahia, num condomínio desses na Gávea. A família saiu de lá. [...] Aqueles caras fortões que ficam na praia e quando eu passo falam, “ô Chico, e aí, cadê o genro?”, pensando que são brancos... uns mais claros, outros mais escuros. [...] O que me aborrece é a hipocrisia da situação, a ignorância. Porque isso é incultura. O nosso valor é a miscigenação. [...] A mistura de raças é o futuro da humanidade. [...] E, mais lentamente, na Alemanha, na Suécia, a tendência vai ser sempre a miscigenação. O Brasil já está adiantado nesse processo.”

Chico Buarque - Até pensei.

- O menino ao lado do Chico é o Francisco, seu neto.

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