Dueto da tarde (IX)

Viu no seu espelho aquele reflexo intenso de novas probabilidades.
Resolveu então entrar no espelho, porque era lá que estava a sua verdade.
Mergulhou e escreveu... se conheceu e não esqueceu ou escondeu seus medos,
Não ficou prova na tinta que marcou seus dedos.
Na beleza da sua mais nova/antiga realidade, renasceu
O que há muito tempo, entre cortinas e persianas fechadas percebeu
Já era o tempo, mas não no sentido de perda; era o tempo de agora ser a própria ajuda e história, ser seu dono deixando entrar a luz e fazer-se a cor.
Tempo de sacudir a inércia, de bater os tapetes da acomodação, de dar um basta à desistência e ao torpor.
Assim cria-se um novo poeta, de visão sem enlaças e ideias ao vento, a cabeça feita, moldada na adequação exata que exige a sua dona, a escrita.
E se sua dona quiser, ele pode aprender a diferença entre a feia e a bonita.
E se sua dona deixar, ele pode nadar em águas quentes e frias.
E se sua dona for mesmo sua dona, nunca mais as cortinas abrirão para paisagens vazias.

Rogério Camargo e André Anlub®
(11/12/14)




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