Dueto da tarde [parte VII]

Acordei: além disso, ou daquilo, amanheceu e veio o estalo, ingresso para o embalo, para o baile, à caneta...
Fardei-me de manhã cedo, perfumei-me de aurora, embarquei na alvorada e me enfiei pela música.
É assim que acho certo, feito cachoeira no deserto – um Saara e uma cerveja.
O que me chama na música além, muito além da areia queimando os pés
É tal tom que na tua tez, na tinta tatuada o tautograma quebrado, fez-se adequado para tocar-me,
Para atravessar o sentido de estar vestido das manhãs e revestido de esperanças.

Mais uma vez acordei: vi meu corpo opaco nos teus olhos belos, verdes, no teu sorriso amarelo, mas tão esperado – benfazejo,
Benfazejo como o deserto quando não deserta, quando não deserda, quando é música e eu vou à música.
Agora posso deitar-me, pois assim deu-se o dia com nossa melodia, simples maravilha do amor em ter-te inteira – doce faceira – cria da insana fantasia.

Rogério Camargo e André Anlub®
(8/12/14)




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