Dueto da tarde [XI]

Eis a nova percepção da leitura, aquele saborear sem julgamentos e “olhos de faca”.
Nem olhos de estilete são necessários: a página se abre fácil à compreensão dócil,
Surgem romances e poesias – nascem nuances policromas da própria vida;
E as mãos talvez ávidas, quase aflitas, também namoram com a calma e a distensão.
Foi-se o tempo penoso dos ventos sem fundamentos, da pequena procura sem fim e incompleta, inconsequente e em ignição.
Foi-se, mas pode ser que volte, não sei, não me prometeu nem jurou nada. Só sei que agora, entre as páginas viradas, encontro o que ele deixou.
Eis a tamanha confiança carregando os versos completos, espertos e profundos, como a aura brilhante que nota a “dúvida” voando, livre, e sabendo que ela é uma passarinha do mundo.
A nova percepção da leitura é uma leitura da percepção. Sem ela, o livro é apenas o livro, nada mais que o livro, embora um livro.
Agora fica o conselho: o Abra, o leia – abra-se, se abrace; descubra um universo que vive em folhas e descubra suas folhas em seus inversos.
Porque é neste momento que D. Quixote troca de lugar com Robin Hood.

Rogério Camargo e André Anlub®
(13/12/14)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Um Eu qualquer

Parte XI