Dueto da tarde [XIV]

Sonhar alto faz parte do corpo, como uma extensão invisível acima das cabeças ousadas.
O voo que leva ao sonho, que traz do sonho, que é o sonho, é anatômico feito os braços abertos
Assim vai-se longe, no horizonte das linhas fluidas infinitas, sanguíneas, imaginárias e criativas.
Mesmo que longe seja logo ali, onde os olhos alcançam, ou logo aqui, onde o coração rege a orquestra
Versos permeiam em novas sinfonias, restos de sons tornam-se majestosas mulheres em esculturas vivas.
É viagem e é chegada ao mesmo vero intenso indispensável indefinível tempo
E assim, do nada, sonha-se com flores, flores e mais flores; não poderiam deixar de ser citadas, sonhadas, mas não colhidas; que fiquem em suas terras, em seus ventos, em suas moradas,
Que emprestem seu perfume para a embriaguez da compreensão semi-desperta de quem viajou na pura sensação de vida, 
Vida bucólica e melancólica, inspiração aos amantes, observadores e narcisistas, 
Fonte de fontes e céu definitivo para o voo alto que os pés no chão conduzem.
Vão os sujeitos poetas dormindo acordados em seus sonambulismos, vagueando em países distantes, longínquos universos e musas desconhecidas
Até que a morte não os separe de seu casamento consigo mesmos.

Rogério Camargo e André Anlub®
(16/12/14)

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