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Mostrando postagens de Janeiro 1, 2014

Um proveitoso 2014 (parte III)

Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo  cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,  Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido  (mal vivido talvez ou sem sentido)  para você ganhar um ano  não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,  mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;  novo  até no coração das coisas menos percebidas  (a começar pelo seu interior)  novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,  mas com ele se come, se passeia,  se ama, se compreende, se trabalha,  você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,  não precisa expedir nem receber mensagens  (planta recebe mensagens?  passa telegramas?)
Não precisa  fazer lista de boas intenções  para arquivá-las na gaveta.  Não precisa chorar arrependido  pelas besteiras consumidas  nem parvamente acreditar  que por decreto de esperança  a partir de janeiro as coisas mudem  e seja tudo claridade, recompensa,  justiça entre os homens e as nações,  liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,…