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João Guimarães Rosa - 27/6/1908

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João Guimarães Rosa
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.  E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.  Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo  vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser  um crocodilo porque amo os grandes rios,  pois são profundos como a alma de um homem.  Na superfície são muito vivazes e claros,  mas nas profundezas são tranquilos e escuros  como o sofrimento dos homens."


João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967) foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.
Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções …

Seda pura na pele

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Seda pura na pele
O corpo foi na onda, Forte e firme em direção ao sossego; O medo caminhava longe, descalço e bêbado.
O abraço (prévia do beijo) fez-se ao relento: Onde mais poderia ser?
O trabalho, mais que merecido, aparecido, beirava um milagre; Amizades afiadas, a moeda separada para o possível troco do pão.
Suadas mãos... Na toada do tempo que diz ainda haver o intento, Nesse movimento e em todos, Para toda criação.
Tintas aquecidas: fervem, borbulham, tremulam, brilham... Tantas esquecidas, agora ressuscitam.
Por trás dos pesadelos estão as musas Com seus corpos tatuados de desejo e despudor.
São cordeiras com seus contornos que deslumbram, Preparando os retratos dos fetiches do sonhador.
E posam quase nuas, Apenas a peça de seda pura de paixão.
André Anlub