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Mostrando postagens de Setembro 28, 2014

Cinco poemas da mais nova premiada - Adélia Prado

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Parabenizamos nossa autora, Adélia Prado pelo Griffin Poetry Prize. Um dos maiores nomes da literatura nacional, Adélia tem suas obras reconhecidas internacionalmente na premiação. No dia 5 junho a escritora mineira estará em Toronto, Canadá, para a cerimônia.


Cinco poemas do livro mais novo de Adélia Prado


Os poemas abaixo reproduzidos são uma amostra de Miserere (Record, 26 págs., R$ 25), o novo livro da grande Adélia Prado

A Paciência e seus limites

Dá a entender que me ama,
mas não se declara.
Fica mastigando grama,
rodando no dedo sua penca de chaves,
como qualquer bobo.
Não me engana a desculpa amarela:
‘Quero discutir minha lírica com você’.
Que enfado! Desembucha, homem,
tenho outro pretendente
e mais vale para mim vê-lo cuspir no rio
que esse seu verso doente.


Senha

Eu sou uma mulher sem nenhum mel
eu não tenho um colírio nem um chá
tento a rosa de seda sobre o muro
minha raiz comendo esterco e chão.
Quero a macia flor desabrochada
irado polvo cego é meu carinho.
Eu quero ser chamada rosa e flor
Eu…