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Mostrando postagens de Dezembro 11, 2014

Dueto da tarde (IX)

Viu no seu espelho aquele reflexo intenso de novas probabilidades.
Resolveu então entrar no espelho, porque era lá que estava a sua verdade.
Mergulhou e escreveu... se conheceu e não esqueceu ou escondeu seus medos,
Não ficou prova na tinta que marcou seus dedos.
Na beleza da sua mais nova/antiga realidade, renasceu
O que há muito tempo, entre cortinas e persianas fechadas percebeu
Já era o tempo, mas não no sentido de perda; era o tempo de agora ser a própria ajuda e história, ser seu dono deixando entrar a luz e fazer-se a cor.
Tempo de sacudir a inércia, de bater os tapetes da acomodação, de dar um basta à desistência e ao torpor.
Assim cria-se um novo poeta, de visão sem enlaças e ideias ao vento, a cabeça feita, moldada na adequação exata que exige a sua dona, a escrita.
E se sua dona quiser, ele pode aprender a diferença entre a feia e a bonita.
E se sua dona deixar, ele pode nadar em águas quentes e frias.
E se sua dona for mesmo sua dona, nunca mais as cortinas abrirão para paisagens vaz…

Dueto da tarde [parte VIII]

Abro a janela para a janela aberta e para a janela aberta abrirei a janela.
Assim sendo, expondo os meus internos horizontes que fazem o montante que me completa absoluto...
Nada é mais importante que a janela aberta diante da janela aberta
A incumbência de ir além, sair do ventre, ir adiante... embarcar no trem,
Meu trem de viagem imediata, instantânea, irrevogável diante da paisagem interna
- Um afago do alento; um trago de ler Jorge Amado; uma ambiguidade é voltar no tempo e seguir no agora dentro desse fardo.
O que acontece lá fora faz uma visita para o que acontece aqui dentro,
Busca o meu Eu mais poético, frenético e farto.
É quando parto sem partir, é quando um quarto é a casa toda, é quando infarto e meu coração é mais coração do que nunca.
(...) mais uma vez, assim sendo, absoluto me concerto e me interpreto (ser o ser completo). 

Rogério Camargo e André Anlub®
(10/12/14)

Peitando a ignorância

Vamos peitar a santa ignorância,
Fazendo aliança com o santo Aurélio,
Criando rimas com enorme concordância,
Limpas, como um céu de brigadeiro.

Vamos debochar dos garranchos,
Inflar os podres egos, até estourarem.

Vamos rir da concupiscência de belas atrizes
Que encenam as loucuras em solos sagrados.

Não vamos duvidar de todos os enamorados
E os sorrisos congelados, devemos enumerar.

Para (vamos) quebrar o gelo a foice do entusiasmo:
- Dizer que é escárnio quando chegar o final.

Vamos levar a sério o que é dispensável,
Pois o essencial, atualmente, é radioativo.
No meio dessa guerra fria, assumir ser indolente,
Pois se o mundo está doente, não é por mal.

(André Anlub - 11/9/12)


Publicação by Kick It In The Nuts.

Água Que Guia uma Águia

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Papo reto: viver não é o bastante, queremos por perto os afetos: (sexo, chocolate, diamante)... Mesmo que por um instante, só para querermos de novo.
Água Que Guia uma Águia (André Anlub - 27/9/10)
Vejo rebento rapina, Que em ondas e ventos chegou; Fez do mais velho, menino, E a discórdia enterrou.
Nasceu do amor impregnado, Uma busca que nunca teve fim; Chuva e semente, cultivado, Verde, forte, capim.
Cresce e se alastra com brilho, Bate suas asas de Pégaso; Voa por entre palácios, Desperta nas nuvens seu filho.
Aurora de paz, sentinela, Seus olhos fitam o amor; Orquestra um grito de guerra Na companhia de um condor.
Vejo de baixo incrível beleza, Derramo sem piedade meu pranto... Sem jeito, mas com sutileza, Viro, caminho e canto. Já se foi o pássaro por entre os coqueiros e a maresia... Deixando um dedo apontado ao infinito com um sorriso no rosto da menina.

O sol está sempre penteado, perfumado, bem vestido...  Também cortês, fotogênico e amigo; Ao se pôr, diz:  “Jusqu'à demain, bonne nuit!”

O sol por detr…