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Mostrando postagens de Dezembro 13, 2014

Dueto da tarde [XI]

Eis a nova percepção da leitura, aquele saborear sem julgamentos e “olhos de faca”.
Nem olhos de estilete são necessários: a página se abre fácil à compreensão dócil,
Surgem romances e poesias – nascem nuances policromas da própria vida;
E as mãos talvez ávidas, quase aflitas, também namoram com a calma e a distensão.
Foi-se o tempo penoso dos ventos sem fundamentos, da pequena procura sem fim e incompleta, inconsequente e em ignição.
Foi-se, mas pode ser que volte, não sei, não me prometeu nem jurou nada. Só sei que agora, entre as páginas viradas, encontro o que ele deixou.
Eis a tamanha confiança carregando os versos completos, espertos e profundos, como a aura brilhante que nota a “dúvida” voando, livre, e sabendo que ela é uma passarinha do mundo.
A nova percepção da leitura é uma leitura da percepção. Sem ela, o livro é apenas o livro, nada mais que o livro, embora um livro.
Agora fica o conselho: o Abra, o leia – abra-se, se abrace; descubra um universo que vive em folhas e descubra su…

VITIMAÇÃO x VITIMIZAÇÃO

Vamos diferenciar vitimação de vitimização?

(1) Vitimização é se colocar inapropriadamente no lugar de vítima. Por exemplo, a classe alta e a sua lógica narcísica de que o outro é sempre uma ameaça. Portanto, ela é sempre vítima;
(2) Do outro lado, temos a vitimação, que é ação de tornar alguém ou algo vítima. É subjugar. É matar. É destruir. Algo que ocorre com muita frequência em relação a certas coletividades: negras e negros, gays, lésbicas, transexuais, mulheres, populações pobres;
(3) O mais curioso é que essa vitimação de certas coletividades está diretamente ligada ao medo e a vitimização da classe alta, que provoca uma demanda por segurança pública. E segurança, muitas vezes, se reduz ao extermínio do outro que “ameaça”;
(4) Outra forma de vitimar certas coletividades: impedir que elas se tornem agentes políticos. Garantir a hegemonia do discurso para que aquilo que se diz ganhe contorno de Verdade;
(5) A desqualificação e invalidação do lugar de fala de certas coletividades tem o…

Condomínio de inocentes

Condomínio de inocentes 
(do livro “Poeteideser”)
(André Anlub - 3/11/09)

A coisa mais bela:
- Uma abelha e sua colmeia
A natureza mostrando a cara,
Muito além das nossas ideias.

Muitas vezes me pergunto:
- Quem criou toda essa graça?
Tudo cheio de beleza,
Com tempero de desgraça.

Andamos nos esquivando
Sem tempo, sem templo e igreja...
Com fé e sem muita certeza,
Com sonhos que estão voando.

Buscamos o fim da tristeza
Violência – maldade.

Vida digna - notoriedade
(Tudo na absoluta clareza)

Nossos rebentos com segurança
Arrebentando as correntes
Que os prendem às desesperanças...
Um condomínio de inocentes.

Acalmando a Alma XIV