Dueto da tarde (XXVI)

A lua passeava por um céu que não era o dela, olhando as coisas com seus olhos de lua, cheia.
Seu reflexo sempre foi belo, tenro; no vai e vem do mar na areia, ia deixando trêmula imagem, espelho de sereia
Que o mar cantava encantado, que os marinheiros bebiam em sonho, que os sonhos desenhavam em luz
Ostras formavam letras que unidas tornavam-se poemas; na maestria da cena via-se que tormentas surgiam:
Era o ciúme do tempo, que não queria passar sem levar a lua junto,
Eram o coração e o amor, adjuntos, no mais absoluto e impetuoso fomento
De uma busca de cor na cor, de som no som, de toque no toque
No enfoque do samba e jazz que migram para o rock and roll,
Lua de todos os ritmos numa só harmonia, de todos os compassos numa só bateria.
Ela não só passeia no alto como dá saltos na terra, no céu que não é dela, mas que abrange a esfera, o universo, o verso e inverso de toda a aquarela que o sol não sabe que há dele nela.

Rogério Camargo e André Anlub® 
(4/1/15)

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