Dueto da tarde (XXVIII)

A pedra que fica perto da areia que fica perto do mar que fica perto da floresta olhava o céu.
“Olhar de pedra” – pessoas olham outras assim; mas não tão naturais como a pedra.
Natural natureza: a pedra olha e o céu se deixa olhar como o que nunca tem fim, como o que nunca vai acabar
E nesse ciclo milenar há equilíbrio, há calmaria, há flerte em uma espécie de melancolia.
A pedra pensa em rolar, volta e meia. Mas dá meia volta sem sair do lugar e retorna a sua contemplação muda.
O céu pensa em rugar, vez ou outra. Mas sabe que é indispensável, que é inspirativo e a morada dos olhos metediços e apaixonados.
Controle de impulsos incontroláveis, contenção de ânsias criando voos na imobilidade, ir e vir sem nunca partir
É a alcunha do amor recíproco (nosso amor – coração), como pedra e céu; uma palpável e sólida, outro gigantesco e vulnerável; trocando às vezes de lugar, mas guardando o seu lugar sempre.

Rogério Camargo e André Anlub®
(6/1/15)

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