Dueto da tarde (XXXIV)



Dueto da tarde (XXXIV)

A graça iluminou-se com uma lembrança pueril. Era um dia comum de setembro e, se bem me lembro, também me iluminei por aqui.
Nada diferente havia no ar e, no entanto, enquanto mesmo indigente me fiz abrolhar, na poesia que pari.
Havia uma cor na cor que deixava o desbotado da mesmice pensando em vermelhos de calor; 
Era algo nada vago, assim como a brisa que há na brisa quando a brisa se acalma e na alma se apressa, para acariciar a brasa que de birra teima em queimar.
Tudo isso a graça sem assédio passava na lembrança e, com ou sem intermédio se deixava levar, sempre com finura e harmonia na memória vinha.
O que era simples e era completo, o que era singelo e era absoluto, o que não tinha importância e definia uma vida de “poète maudit”, de poeta matuto, que pega a caneta e lança no oportuno.
Oportunamente era a graça. Oportunidade sempre há – de graça. E a cor do lápis vive a prática: a arte se inspira em nada e em todos: cores, dores, amores, graças e desgraças... tudo soprando numa lembrança/presença.

Rogério Camargo e André Anlub
(12/1/15)

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