Dueto da tarde (XXXIX)



Dueto da tarde (XXXIX)

Amanheceu com calor extremo e sol quente; gente indo às praias e piscinas,
Gente deixando a pele em casa, para não queimar demais, e alugando outra pelo caminho.
Há pessoas de essência e atitudes frias, sentadas em suas mesas frias onde só o café está quente.
E há pessoas que sustentam estas mesas, como se as carregassem nas costas.
Não seria desatino, se porventura – de repente – afinal, contassem o tempo de trás para frente, como uma contagem regressiva para um funeral.
Amanheceu com calor extremo e o sol implacável fazia fermentar algumas verdades na pele sensível da indiferença
Caiam mitos, ritos e crenças, tiravam as chupetas das bocas de algumas crianças
E o tempo súbito pareceu gelado, embora escaldante. Estar de frente para si mesmo não é tão fácil quanto ir à praia, abrir guarda-sol, passar creme e olhar o desfile dos corpos.
“O hábito não faz o Monge” – um monte de gente indiferente ao que verdadeiramente é por dentro, no cerne, no seu montante.
O sol brilha generoso, mas quase sempre ilumina a escuridão. A luz está sempre ali, mas quem enxerga é quase sempre a cegueira.
A covardia não fica de bobeira (toma posse do corpo feito um espirito de porco) faz do ser um ser oco, e no caminhar do tempo segue destruindo seus dias.
Dias que às vezes amanhecem tão bons de ir à praia, de ir à piscina, de gastar dinheiro tranquilamente, porque há mais dinheiro pra gastar.

Rogério Camargo e André Anlub

(18/1/15)

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