Dueto da tarde (XXXV)



Dueto da tarde (XXXV)

Quando a luz incidiu no diamante dos teus olhos, coloriu meu mundo
E eu já não era mais um garimpeiro de mãos gretadas, batido pelas decepções.
Ouvi as canções no meu antigo coração surdo; soltei falações da minha boca de mudo
E pude ver o que minha vista cega de procuras falsas ainda não tinha visto, pois já fui um ser oprimido, castigado pela vida e pela lida, e abandonado pelos pais.
Encontrar o que encontrei em ti me encontrou. Das coisas que me disseste vem o mais importante: aceitação do meu pedido de companheirismo na aceitação de ser minha sombra.
Luz e sombra. Garimpo e diamante. Cansaço e renovação do dia-a-dia na voz de um silêncio pura melodia que anima minha alma e alivia e quebra as pedras do meu corpo tirando-me do imóvel.
Contigo sou movimento. E me movimento em tua direção, abrindo meus braços ou ajoelhando aos teus pés, redescobrindo o viés, não importa nenhuma outra importância porque entre nós a distância caiu da bateia.
Agora esta luz que vejo multicolorida não precisa mais incidir no diamante.
Agora a pedra preciosa é nossa vida, a vida nossa construída, desenvolvida de forma assim (pedra) preciosa.

Rogério Camargo e André Anlub
(13/1/15)

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