Os vivos corais do mar morto




Os vivos corais do mar morto
(André Anlub - 11/6/13)

A ideia vai e vem à paisana, é assim:
Olá, escreva-me, como vai?
Ouço certo do outro lado da muralha
E a imaginação não se esvai
Como um surto atípico...
Não me corta feito navalha,
Nem me beija como o fim.
Reaparecer requer confiança.
É aceitar o dom que foi dado de herança,
Sem nem mesmo querer receber.
Tudo fica mais intenso e brilhante
Quando as barreiras caem.
Pode-se ver, ouvir e sentir - o além.
E quando vem a implacável esperança,
Ponho-me a escrever cada vez mais.
O azar eu nocauteio com certeiro soco no queixo;
A solução está no fundo do mar...
Prendo o fôlego e mergulho até lá,
Mesmo em plena maré cheia.
Pude ver belos corais que fazem desenhos
Que completam os traços nos corpos dos peixes.
Vi o majestoso feixe da luz do sol incidente
Que faz contentes as arraias que se entregam.
Enfim, vou repetindo as dicas
Que venho recebendo na vida.
Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia!
principalmente das farras em família,
Das ondas que vi o mar oferecer.
As paixões incompletas estressam,
Surgem, mas não se deixam ver.
Ficam cobertas com o manto da noite
E somem no mais sutil alvorecer.

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