Dueto da tarde (LX)



Dueto da tarde (LX)

A loucura pula o muro do hospício e não deixa nem resquício para contar a história; mas será contada mesmo assim.
A lua registra tudo e não mente. Pelo menos é o que acredita, medita, edita e reedita o aluado.
A loucura vaga pelas ruas, passa pelo meu botequim, veste-se de arlequim e sai comigo rumo à folia.
E é setembro. Não há Carnaval nas avenidas. A loucura quer festa, no entanto, e em cada fresta um canto impõe obediência; e é setembro, mas bem me lembro, ainda prevalece à indecência que nessa hora ainda aquece as nossas almas, pernas, fartas demências.
Não há terreno plano, só há saliência. A loucura salienta-se.  E aguenta-se nas pernas também quentes com a lua companheira conselheira; e a lua abre um sorriso, lá do alto, e ela ilumina, lá ao longe, e influencia.
A ciência da influência faz a loucura mais confiante. Confiante, vai adiante. E com ela vou em frente.
Deixo a loucura aportar no cais do porto, já havíamos visto de tudo: um assalto, um beijo, o rato roubando o queijo, o gato comendo o rato, outro assalto, um parto, um aborto...
Só faltava ver a nós mesmos. E a lua era um espelho. Bastava olhar para cima.

Rogério Camargo e André Anlub
(9/2/15)

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