Dueto da tarde (LXVI)



Dueto da tarde (LXVI)

Está no ar e é liberdade que se aprisiona individualmente em um leque de possibilidades.
Está no ar e quase cai com o peso da responsabilidade.
É a absolvição que muitos procuram, muleta inquebrável e onipresente, é o Rei e o indigente, é a lei e a contravenção.
A liberdade da prisão, a prisão da liberdade e todos falam nagô em iídiche.
Vê-se e põe-se então a salvação que escorre pelas mãos, que residia no interno e na intenção  e no momento transpira em policromias.
Os pés imaginam asas, mas imaginar asas não dá asas aos pés; os olhos imaginam o sossego, mas imaginar o sossego já é um bom começo.
Sonhar sonharia sonhará sempre sonhando sonhos sonháveis a sono solto.
Vê-se e faz-se circuncisão num fundo preto por cima dos pesadelos e entram as primaveras nos desenhos perfeitos nas circunscrições de suas quimeras.
Acordar seria fácil, mas incômodo. Ajeita a cabeça entre as estrelas, mesmo que elas sejam apenas poeira nada cósmica, e a cômica crônica de seu cotidiano é de novo e sempre a companheira ideal.

Rogério Camargo e André Anlub
(15/2/15)

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