Dueto da tarde (LXVIII)



Dueto da tarde (LXVIII)

Zé calçava as botas de couro para ir de encontro ao seu estimado alazão, que já o aguardava nas manhãs de tempo bom.
Era o alazão do sonho. Zé cavalgava seu sonho como um fazendeiro orgulhoso; fazia até planos futuros: levá-lo para uma terra distante e soltá-lo com os cavalos selvagens.
À Natureza o que é natural. A natureza de Zé não queria seu sonho preso as cocheiras da insuficiência, pois correntes, bocas amordaçadas, olhos vendados, asas aparadas nunca fizeram parte de seus princípios.
Não eram coisa dele. Coisas do Zé eram soltas no vento. Zé calçava as botas de couro para ir ao encontro do vento, voava nas folhas das árvores e nas dos livros, pintava o sete fazendo de chiclete com a morte e pintava o oito fazendo o coito com a vida.
Essa era a vida de Zé. Se você encontrá-lo em algum espelho, não se assuste: liberdade verdadeira é praticar a liberdade.
E se o espelho encontrar você, lembre de onde amarrou seu cavalo.

Rogério Camargo e André Anlub
(17/2/15)

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