Dueto da tarde (LXXI)



Dueto da tarde (LXXI)

As cores todas da cor nenhuma vêm ao sol, e no arrebol se fazem de rainha, pois ganham lampejos, ganham atenção e marcham pelos olhos e desejos alheios.
Por todos os meios seus receios são afastados para os lados da noite que também se foi.
Chegam a ser uma esplêndida e pitoresca alquimia visual que alguns atribuem aos 
Deuses, outros aos Duendes, alguns criticam apontando seus dedos, outros nem entendem...
Mergulham então na ansiedade indisfarçada: são cores do Não refestelando-se na possibilidade do Sim.
No abissal sempre haverá a esperança, pois se voa – se pousa; no breu total, além do medo, ninguém sabe ao certo o que pode encontrar. Só quem ousa.
Na ousadia ousa o dia pintar de muito o que nasceu há pouco. As cores do nada apostam e se postam numa frenética chuva, horizontal e vertical, de pingos coloridos ainda invisíveis até chegarem aos objetivos, vivos e práticos. 
Praticamente não praticam nada mais, não deixam para depois o que já coloriram antes, fundamente fundamentais e ninguém percebe, como o oxigênio.

Rogério Camargo e André Anlub
(20/2/15)

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