Fulano da Silva



Fulano da Silva
(André Anlub - 3/2/14)

Deu um gole no chá verde gelado
E ao descansar a xícara, sorriu.

Viu-se num lago novamente o guri
Que um dia brincou com seus sonhos alados.

Congelando o momento foi trajando o futuro,
Luz no fim do túnel do incerto predestinado.

No amanhã um apogeu deveras absurdo,
É a essência madura que utopicamente nasceu.

Viu-se feliz com o viver protegido
Viu-se ungido com o suor de mil anjos.

Na boca pequena um grandioso sorriso,
E os ouvidos docemente arranhando,
Violinos de Vivaldi em arranjos.

Faz-se adulto, pecante e andarilho,
Com rugas no rosto e prantos arquivados.

É trem de carga que não carece de trilhos;
Abandonou seu abrigo, sem culpas e mágoas. 

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