O íntimo

BANKSY (B. 1974) - Barcode Leopard (spray paint and emulsion on canvas), 2002

O íntimo

Via no tédio o remédio das disparidades de um vil covil,

Colocando fogo no palheiro para assim ver surgir uma agulha.
Com punho e a alcunha de justiceiro: foi-se o cunho e foi-se o pulha...
Talvez no terreiro, um terceiro quarto ou um sexto do quarto copo.

O íntimo quer mostrar a cara: fica para a próxima.


Atiro-me ao escopo: atiram-me, apunhalam-me, sequestram-me;

Eis os que orquestram como feras rugindo, como tréguas surgindo,
Como falta de filtro nas palavras que lavram num (in) coeso destino...
Ferem amigos, ferem coelhos brancos na noite – alvos fáceis;
Desumanos, desalmados.

Os motores de arranque estão quentes; há febre adolescente na mente.

Pudores caem, chuvas de verão; jamais nos verão tão impetuosamente.
Gruda chiclete no dente, queima a carne no espeto, o medo adota a senhora.

O íntimo que foi ínfimo é posto à prova: uma ova que para tudo tem hora.


Atiro-me à festa nesse exato momento: falta a farta cominação de acatamento.

Reviro-me e me viro para voltar ao começo;
Esqueço o preço que é estar do avesso: ver vultos dos fantasmas,
estafas formando estufas que vão aquecendo as cabeças; 
ouvir melodia melancólica, pudica e melosa, 
da noite ao dia – de trás pra frente – o ano inteiro.

O íntimo já está exposto e posto ao privo: um ovo que se quebra à fome.


André Anlub

(18/2/15)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer