Dueto da tarde (CIII)



Dueto da tarde (CIII)

Outro gole no Absinto e o voo fica perfeito; voa por cima do de vulcões extintos.
Mais um gole na ilusão e tudo fica mais claro: não quer ficar aonde os pés tem chão.
É pretensão de ser águia ou apenas vontade de conhecer o domínio ou o condomínio de algum Deus?
É pretensão de ser Deus ou apenas vontade de conhecer a quem dominam as águias? Seu reflexo no copo da bebida não responde.
Sua fonte da juventude secou. Agora restam esforços para tentar algo novo ou beber de novo do mesmo velho. 
Suspira. Retira do suspiro um arremedo de alento e, cem por cento inconformado, procura um horizonte.
O peso em suas costas aumenta a cada segundo e o clamor do medo profundo sai contíguo ao suor de seus poros.
“Contigo aprendi!”, cantarola para seu copo esverdeado, um Altemar Dutra que desfruta de si mesmo muito pouco e rouco insiste.
Outro gole? não é mole, mas a garrafa está oca; fica uma secura na boca salivando um dilúvio e mãos temendo e tremendo um futuro/presente distúrbio...
Voar sobre vulcões extintos passa a ser reativá-los. Valos e fendas se arreganham, ganham vida. Antes de morrer é preciso voltar pra casa.
A força é escassa! Mas a dádiva da raça clama pelo enfrentamento da ameaça; a força é absurda – no momento que se encara – no flash se tem a cura.
Levanta-se com dificuldade. Despede-se com dificuldade. Amanhã tem mais. Ou talvez não. Tudo depende de tudo não depender.

Rogério Camargo e André Anlub
(24/3/15) 

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