Dueto da tarde (CIV)



Dueto da tarde (CIV)

O sol escreve na pele coisas que a pele não lê.
No deslumbre dos cabelos ao vento o encanto do dourado confere.
Há um perfume de sentir-se bem rodeando o corpo.
Há o porto acessível ao atraque e ao ataque de um Couraçado antigo.
Há uma leve ansiedade pelo possível ainda não realizado que mora ao lado ou do outro lado
E o sol desenha na alma coisas que os olhos não veem.
Vem a brisa e também quer desenhar.
Quem avisa que no desenho todos podem participar?
A vida, quem sabe, que desenhou a chance de todos os desenhos antes do primeiro e depois do último.
O mar em tons de azuis; o amar em tons sutis; o céu em azul celeste e as chuvas beijando as faces.
Repasses: veio do mundo e adentra o mundano. Uma vez por ano é todo dia. Um dia de sol é uma eternidade escrita na pele.
Nenhum ser vivo se atreve a desdenhar o desenho; saem o “foi” e o “venho”, entram o “fica” e o “breve”.
Alto relevo, baixo relevo, tudo é relevante, nada se releva.
O Couraçado atraca trazendo tudo que se espera: tintas, telas, aquarelas e o que se espera delas. E o que se espera delas está escrito na pele.

Rogerio Camargo e André Anlub
(25/3/15)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer