Dueto da tarde (LXXXI)



Dueto da tarde (LXXXI)

É um rapaz criativo, mas que usa palavras repetidas, tidas como ingênuas e nuas no sentido implícito; cito um exemplo conciso:
Informação nunca é demais. Você fala, ele ouve. Ouve mesmo. Mas você nunca vai ficar sabendo o que ele “criou” com elas.
E nas mazelas elas se reinventam, tamanha incoerência exposta, posta aos olhares e ares.
É um rapaz super ativo, mas você não percebe a super atividade dele. É um rapaz que dá voltas em torno da terra, mas você não percebe seu corpo se mexendo.
Camufla-se em árvores, em peixes, pássaros e tudo; cresce galgando espaço e faz do externo seu núcleo.
Certo dia uma nuvem lhe perguntou por onde andava. Ele respondeu. A nuvem não ouviu. Certa noite uma lua lhe sorriu. Ele retribuiu. A lua não viu.
Se o núcleo fosse o centro, a nuvem ouviria, a lua veria e com o sol também conversaria. Mas o núcleo não é o centro.
O núcleo é um embuste, é como um busto em praça pública que ao “João ninguém” representa.
Fora é fora. Dentro é dentro. Dentro fora é nada. Mesmo para um rapaz criativo que use palavras repetidas, tidas como ingênuas.

Rogério Camargo e André Anlub 
(2/3/15)

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