ROESIAS

Tenho nas mãos
o que não tenho nas mãos
e os olhos muito olhando.

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A distância não se mede em cansaço.
Fazer o possível não é fazer o impossível
em esforço.

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Nos teus olhos eu leio
que teus olhos leram
e ainda vão ler
o que não escrevi.

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O vento tem ouvidos
para a música que o vento leva
e nunca mais.

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Farei do que não farei
tudo que possa
para esquecer que fiz.

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Hoje é apenas uma sombra.
Quieta, calada sombra
que ontem brincava de sol.

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Meus temores vão até a porta,
abrem, fecham,
passam a chave.

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É mais fácil perguntar o que foi.
Mesmo que ninguém responda,
é mais fácil perguntar o que foi.

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Rosa flutuando num mar de sonho.
Sonho que criou
o roseiral.


(Rogério Camargo)

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