Dueto da tarde (CXXVI)

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Posted by Climatologia Geográfica on Terça, 17 de fevereiro de 2015


Dueto da tarde (CXXVI)

Estarei contigo por todo o quase sempre que me sentires contigo.
Em idolatria és tudo em única: aconchego, caminho, mar, luz, céu, apego e ar.
No ar que respiro a marca dos teus pulmões renovando o que eu não saberia renovar sozinho.
Nos papéis deixo letras – contornos de teu corpo, teus menos, teus mais; explodo-me quando não te tenho em sonhos, o que no acordado sempre estás.
Meus passos confirmam um caminho já aberto e não fui eu que abri. Minhas asas ganham um céu que não aprendi a voar sozinho.
Nas entranhas o estranho sangue corre como um rio em desatino, sem rumo certo, sem cheiro certo, sem leito e sem fim.
O rumo traçado por um aroma sutil que se perde/encontra em outros aromas sutis, que se faz/refaz no meu entregue nariz; transmutando em alquimias de orquídeas com rosas, como um escândalo do sândalo ao jasmim.
Flutuo nestas ondas imperceptíveis como a sombra da sombra, como o eco do eco ou como o reflexo do reflexo.
Compactuo com esta vida feito um escravo delirante; feito um poeta errante, beberrão e desconexo.
Minha embriaguez é de vida: devida a ti e ao que me dás quanto me tiras de onde me coloco – mal.
Tenho a sensação de morte súbita quando vens abrupta dizer-me no escuro que já caiu o mundo e a separação é fatal
E venho à tona como um golfinho malabarista quando teu riso desmancha a faca enterrada em meu peito, dizendo confessadamente, sem choro nem vela, à vista e sem receio: nada havia acontecido, vivido ou morrido, pois eu estaria em um sonho e finalmente contigo.
Exatamente como estarei contigo por todo o quase sempre que me sentires contigo.

Rogério Camargo e André Anlub
(17/4/15)

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